domingo, 21 de outubro de 2012

ESCOLAS DA NOSSA TERRA


Universidade de muitas vidas: 
 
Numa pequena homenagem que pretendemos prestar ás escolas e aos professores que nos ajudaram a dar os primeiros passos na nossa formação, fizemos uma incursão no terreno de uma em que um de nós fez a sua “primária”. Território devastador, triste e abandonado quase desértico a causar uma tristeza profunda a quem por lá passou parte da sua juventude com a alegria inerente á rebeldia de dezenas de “miúdos” que partilhavam as suas brincadeiras de pé descalço. Não faltavam espaços mais ou menos verdes para as traquinices a que os “grupos” se quisessem dedicar, era a jogar á bola, aos cowboys, ao pião, á barra e tantas outras que estivessem na imaginação de cada um e onde nem faltava o “regato” onde nos banhávamos e até muitos aprenderam a nadar . A saudade bateu fundo, transportou-nos á meninice e aos amigos de então, a tudo o que se fazia com tão poucos recursos, ao sabor da broa da “mercearia da Elisinha”, onde muitas vezes e quando se arranjava uma “moedinha” lá íamos investir em 5 tostões de sêmea e 5 tostões de figos que era um petisco ao alcance de poucos, da fruta que surripiávamos nos mais variados terrenos de cultivo das muitas pessoas que viviam da lavoura. Ambiente de gente humilde, alguma pobreza mas uma solidariedade enorme que do pouco se fazia muito. Estamos a falar do Padrão onde muito próximo e na outra margem do rio Febros funcionava a ESCOLA DA MATA: 
 Edifício da escola inserido no complexo “Quinta do Guimarães”, esta escola construída em 1916, serviu a população juvenil das margens do rio Febros do lado de Avintes e de Vilar de Andorinho. 
Numa linha que começava na “Ponte” (junto da ETAR), passava pelo Rio da Azenha, Carril, Queimada, Padrão, Gesta, até chegar próximo da Ponte de Pedra.
Cremos que a família mais a sul e onde terminava o território (escolar) do lado de Avintes eram os “TRICANOS”, pois a partir dessa linha imaginária passavam a frequentar a escola do “Palheirinho” ou do “Fundão”.Centenas de “miúdos” de Avintes juntavam-se diariamente a tantos outros do lado de Vilar de Andorinho, com incidência no Lugar da Mata até onde a E.N. 222 faz a divisão da Freguesia.
Recordamos as excelentes condições (para a época) que não eram só arquitetónicos, a Escola proporcionava no seu interior excelentes espaços quer nas salas de aula como em todos os serviços auxiliares, a casa de banho, cantina que não servia refeições mas oferecia ao lanche o leite (em pó) e o melhor queijo que muitos ainda se recordarão como o queijo “amarelo”servido em grossas fatias que ainda hoje fará crescer água na boca.
Só o frio metia algum medo, já que as divisões amplas e a proximidade do “Regato” tornava a zona e a escola em particular muito fria, mas nada que os intervalos não minimizassem com as brincadeiras da época.
Foram-se sucedendo gerações a passar pela Escola, naturalmente também de professores, mas muitas mais de alunos do que de professores pois “memorizamos” durante anos e anos a Do­na NAIR, que ensinou o A.B.C. a várias gerações de alunos das mesmas famílias.
Ligada nas margens pela ponte Fernandes e pela ponte do Aleixo, dezenas de “miúdos” faziam quilómetros até á escola, pois não havia transporte a não ser as pernas muitas vezes mesmo com os pés mal calçados. Estávamos na época das chancas, dos butes e do pé descalço conforme as “posses”dos “viajantes”. A própria professora que vinha de Gaia (vivia junto ao jardim Soares dos Reis) e usava a camioneta como forma de transporte até á “ponte”,fazia o percurso todo a pé até á Escola. A proximidade e a convivência ajudaram a formar grandes amizades que muitos mesmo seguindo trajetos diferentes ainda hoje “respeitam” essa amizade cimentada em horas de dificuldades, mas de grandes cumplicidades e muita solidariedade das próprias comunidades locais.
A Terra abandonada entristece-nos, a solidão dos poucos moradores leva-nos a pensar o que poderia ter sido feito para contrariar a história, se calhar devia-se, mas voltaremos noutra altura e com outros motivos a falar disso,

Esperamos ter reavivado a memória de alguns que nos leem, mas levar aos mais novos factos e histórias da “OUTRA” parte da nossa terra.


O KusKas


 

2 comentários:

  1. Tempos de infância
    que o tempo não apaga.
    Brincadeiras de criança
    que o adulto não estraga.

    Na escola da Mata
    aprendi a ler e a escrever.
    Foi na escola da Mata
    que aprendi a viver.

    E quando se relembra a saudade
    fica no coração a lembrança:
    de dias idos e de felicidade...
    No coração de uma criança.

    ResponderEliminar